quinta-feira, 4 de julho de 2013

REFLEXÃO SOBRE A NOVA EVANGELIZAÇÃO


29/06/2013
A nova evangelização requer algumas condições, a saber: a superação do tradicionalismo, das hermenêuticas fechadas, da comunidade ritualista para ser uma Igreja mais santa, mais ágil, mais missionária e samaritana. Davi com as armas pesadas não pode enfrentar Golias. Assim, diz um bispo do Sínodo: a Igreja deve abandonar costumes da Idade Média, modos de falar e hábitos de outrora, como também estruturas materiais e espirituais. É verdade, mas, sem coração e mentalidade nova é difícil renovar. Portanto, é a partir de Cristo que abandonaremos o comodismo, a mesmice, o medo e conjugaremos as forças evangelizadoras.
Não pode ser atraente uma Igreja a partir de doutrina, regras, instituições, mas do encontro e seguimento de Cristo. A prioridade é das Escrituras através da qual fazemos grandes experiências do amor de Deus, de sua paternidade e amabilidade. Isso gera gratuidade e responsabilidade. Assim a Igreja será uma comunidade de amor, portadora da boa notícia para o mundo.
Evangelizar sem ouro nem prata, sem túnicas, seguindo o caminho da simplicidade que não é ter sentimento de inferioridade. Nosso tesouro é a paternidade de Deus, a comunidade de amor, a alegria de servir. Temos uma excelente ocasião para fazer acontecer a nova evangelização, nos encontros de pais e padrinhos, de noivos e as exéquias, tocando o coração das pessoas com a Palavra de deus.
A pedagogia da visitação permanente e as pequenas comunidades são meios indispensáveis para a nova evangelização. Uma Igreja menos instituição e mais família, valorizando as vidas doadas e santas que nos rodeiam. Se a Igreja quer comover os corações ela deve ser: simples, hospitaleira, santa e jubilosa. Sair do catolicismo tradicional para o catolicismo missionário. O que sufoca a evangelização é o imobilismo, a burocracia e o clericalismo.
O Papa Bento 16 aludiu à desertificação da fé, à descristianização da sociedade e à mundanização da Igreja. Diante desta realidade a premissa da nova evangelização é a conversão, a santidade, a espiritualidade. Tão forte é a secularização do homem moderno a ponto de “um filhote de chimpanzé valer mais que uma criança deficiente” (C. Rouco Varela). A nova evangelização quer ver a Igreja ao lado dos pobres e dos padres. Um padre fraco é um padre cego. Um padre de fé faz a comunidade crescer e experimentar três paixões: pelo Senhor, pela humanidade e pelos pobres. O padre é o motor da nova evangelização. Ele deve ir à frente carregando a tocha do Evangelho.
Com lideranças esgotadas, com estilo de vida materialista, com a perda do zelo pastoral, com o desinteresse pela Doutrina Social da Igreja, só podemos ter mensagens insuficientes e resposta inadequadas diante dos apelos e desafios da realidade. Além disso, precisamos estar conscientes que nossa pregação provoca oposição. Não é mais possível ser cristão por tradição ou conveniência. O mundo quer ver em nós convicção e conversão. Uma Igreja com rosto de discípula missionária será atraente e convincente.
O Sínodo sobre a nova evangelização tocou em feridas abertas, mas, ao mesmo tempo ofereceu grandes e eficazes remédios. Não há lugar para pessimismo, mas sim, esperança de conversão e coragem para mudanças. O “fazer” depende do “ser”. Por isso tudo começa com a renovação do coração e da mentalidade, sabendo que o mundo atual voltou à “ignorância religiosa” acoplada à arrogância cientifica e uma presunção que Deus tornou-se desnecessário. O homem sente-se dono de tudo. Este mesmo mundo condiciona, porém, as pessoas a viverem superficialmente. É preciso, pois evangelizar dialogando com o mundo, com as religiões e culturas.


Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Metropolitano de Londrina

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