Nossas paróquias, movimentos e pastorais subsistem graças à liderança, e coordenação de pessoas que são animadoras, coordenadoras, propulsoras das forças vivas da Igreja, sob a presidência do pároco.
Torna-se cada vez mais urgente e necessário oferecer formação para as lideranças, inclusive sobre a importância da rotatividade e do desapego ao cargo. Lembramos que estamos refletindo sobre pessoas que exercem trabalho, coordenação e animação na Igreja. Os leigos têm cidadania na igreja por força do batismo. São questão fundamental a importância das lideranças, sua rotatividade e a necessidade de preparar novos líderes. Lembramos que estamos refletindo sobre lideranças que exercem trabalho, coordenação e animação na Igreja. Os leigos têm cidadania na Igreja por força do batismo. São corresponsáveis na edificação da Igreja através da comunhão e participação. Exercer o cargo não é honra, é serviço.
As lideranças são chamadas por Deus, reconhecidas pelo pároco e pela Igreja, para servir o povo. O apóstolo Paulo via em seus colaboradores pessoas amadas de Deus, eleitas, escolhidas. Assim, todo trabalho de uma liderança é para a glória de Deus e a salvação do mundo. É um serviço que tem como razão última, o amor de Deus, a fé, a graça batismal que transforma os batizados em filhos de Deus, verdadeiros sacerdotes, profetas e pastores (reis) que é o sacerdócio batismal. Eis a dignidade dos leigos e leigas dentre os quais nascem as lideranças. Um líder é pessoa de Deus engajada na comunidade com três qualidades: fé, competência e humanismo.
Coordenar, ser liderança, trabalhar na Igreja é uma questão de fé e de amor a Deus e ao povo. Portanto, exercer liderança na comunidade eclesial é um autêntico lava-pés, uma ação sagrada que anima, organiza, coordena a pastoral, a comunidade eclesial, os setores da evangelização. Um líder na Bíblia é um semeador, um pescador, um servidor, um pastor, um educador, um animador. Age voluntariamente, com fé, com competência e com o coração.
Liderar é um ato de evangelização, é uma missão, um ministério, uma responsabilidade, um serviço. Para tão alta missão, uma liderança precisa ser bem preparada, conhecer as estruturas da Igreja e ter condições humanas, pastorais, morais e espirituais para assumir este encargo. Uma liderança age em Cristo, em nome da Igreja e em favor do povo. Assim saberá colocar Deus e sua graça em primeiro lugar e aprimorar o seu próprio ego. Todo líder precisa ter competência e continuar num auto cultivo permanente. A formação nunca acaba.
Do ponto de vista humano, uma liderança deve ter “três coragens”: para atuar, perseverar e ser exemplo para os outros. A coragem de atuar significa ter pé no chão, objetivos claros, não se omitir, concretizar e realizar os objetivos. É a coragem de agir, de fazer acontecer na prática as ideias, os planos, as esperanças, os objetivos.
A coragem de perseverar é também essencial. Um líder não pode ser inseguro, indeciso, omisso, negligente. Para perseverar precisa do esforço, da criatividade, da fortaleza, da positividade, do entusiasmo, da fé em seu trabalho e missão. Não se deixa amedrontar pelas preocupações, mas, enfoca as soluções, não desiste na dificuldade e coloca sua esperança na graça de Deus.
A coragem de ser exemplo para os outros significa, ser testemunha, praticar o que exige dos outros, ter coerência entre o que diz e faz. Assim o líder atrai os outros a colaborar. O exemplo do líder arrasta, cativa, convence, comove, motiva os outros. Ser testemunha é agir com coerência e transparência. O mundo não acredita nos mestres, mas, deixa-se fascinar pelos que dão testemunho.
Ser testemunha é fazer o que dizemos praticar o que ensinamos realizar o que pregamos. O líder é o primeiro a fazer o que ensina, sua palavra se comprova no seu jeito de ser, agir, de viver. É um mestre não de teorias, mas, de práticas, vivências, exemplos. Jesus convida seus ouvintes, a seguir seu jeito de ser, suas atitudes, seu testemunho. Ao dar testemunho de santidade o líder está no caminho do discipulado, da imitação e do seguimento de Jesus.
Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Metropolitano de Londrina
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