MANTER-SE PURO – Para sacerdote, o importante na quaresma para o cristão é jejuar do pecado
Quaresma. Período de penitência e jejum, quando muitos católicos trocam a carne vermelha pelo peixe. Um sinal de fé, correto? Que nada! “Substituir a carne por peixe é safadeza!”, dispara o padre Audinei Carreira da Silva. “Onde está a penitência, se na Sexta-Feira Santa o cristão farta-se com uma bacalhoada?”, questiona o padre. Para ele, mais que jejuar da carne, o importante é jejuar do pecado. “De que adianta fazer jejuns e depois continuarmos tratando mal as pessoas, os empregados ou não colaborar com a comunidade? O jejum é um exercício para praticar a virtude”, define.
A celebração da quaresma tem indícios no Antigo Testamento e o numeral 40 registra marcos importantes, como os 40 anos que os hebreus exilados no Egito foram em busca da Terra Prometida; os 40 dias que Moisés passou no Monte Sinai, jejuando para o encontro com Deus para receber os Dez Mandamentos e os 40 dias que Jesus permaneceu no deserto, resistindo às tentações. ,
Nos primórdio, essa preparação para o batismo ocorria de quinta a sábado. Porém, a partir de um certo momento os catecúmenos preparavam-se por três a quatro anos, intensificando o ritual 40 dias antes da Páscoa, quando recebiam as cinzas. “Uma tradição do Antigo Testamento, um sinal dado como penitência, além do vestir-se, tanto pessoas como animais, com roupas de saco”, conta Padre Audinei referindo-se à penitência que a cidade de Nínive tomou para si, para aplacar a “ira” de Deus. A partir de então, a Quaresma surge como tempo de intensa preparação para o batismo, crisma e eucaristia. “Para abrir esse tempo de estado intensivo de oração e penitência, do crescimento em fraternidade”.
Segundo padre Audinei, a cinza lembra a efemeridade humana, pois é o resto do que se queimou. “Somos eternos para outro mundo, na presença de Deus. As cinzas são para perceber essa provisoriedade nesse mundo”.
A quaresma é um período de conversão, explica padre Audinei. “Como uma placa de trânsito, quando você converte volta à origem”, exemplifica ao citar a importância do Evangelho. Para Audinei, uma vida com orações permite uma maior intimidade com Deus. O jejum é um exercício de preparo do corpo e do espírito em busca do auto-domínio, no confronto com o mal.
SANGUE
De acordo com o padre o hábito de não comer carne durante a quaresma tem raízes na tradição judaica, pois antigamente os judeus tinham muito preconceito com a carne manchada de sangue. “Não aceitavam matar animais sufocados, mas cortados e dependurados pelo pescoço para escorrer todo o sangue”, lembra, ao citar o motivo pelo qual as Testemunhas de Jeová rejeitam a transfusão sanguínea.
Mas a substituição da carne vermelha pelo peixe, não tem nada a ver com os ensinamentos bíblicos, ensina o padre. “Somos bagres ensaboados. Tem muito padre que faz essa barganha, faz essa troca. Se abstém da carne vermelha e põe outra no lugar”, critica o padre. Para ele tal substituição foi um bom negócio que a mentalidade humana tratou de arranjar. “O verdadeiro jejum é algo que deixo de fazer em meu benefício em detrimento do bem do próximo”, sintetiza o padre. Por essa perspectiva, na Semana Santa, quem paga o pato é o peixe!
Fonte: http://www.tribunadecianorte.com.br/cidades/trocar-carne-por-peixe-nao-e-jejum-e-safadeza-diz-padre-23388/
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