O Papa Francisco enfocou sete eixos na Exortação Apostólica sobre a alegria do Evangelho. São sete diretrizes, balizas, rotas para a Igreja hoje.
1. A Igreja em “saída missionária”. A palavra de ordem é sair de si, sair para a estrada, sem demora, sem medo e sem repugnância. Sair para estar próximo da realidade do povo e contrair o “cheiro das ovelhas”. Sair é uma absoluta prioridade. O papa quer uma Igreja em êxodo.
2. As tentações dos agentes da pastoral. São várias e sérias tentações, a saber: o desafeto e desencanto pela Igreja, a projeção de si buscando a gloria pessoal e descartando os outros pela inveja, ciúme, mexerico. Outra tentação é o cansaço que vem do ativismo e da falta de oração. O pessimismo, a mesmice, a lamentação dos evangelizadores.
3. Todo povo de Deus é evangelizador. Deus convoca todos os fiéis batizados a evangelizar com sua diversidade cultural, espiritual, pastoral. Um dos pontos mais significativos é a religiosidade popular que é obra do Espírito Santo, fruto da fé e da espiritualidade dos simples e pequeninos. Na religiosidade popular temos o Evangelho inculturado.
4. A importância da homilia. Este assunto requer uma séria avaliação, porque na homilia Deus alcança o coração do povo. Na homilia o povo faz uma experiência intensa do Espírito Santo, recebe a consolação que vem da Palavra e dialoga com Deus. Homilia não é catequese, nem espetáculo, não é exegese nem uma conferencia. É diálogo com Deus.
5. A inclusão social dos pobres. A fé tem uma dimensão social e o reino de Deus é a prática da justiça, da liberdade, da paz e do respeito à vida. Quem toca num pobre toca na carne de Cristo sofredor. A religião se manifesta no amor fraterno e no compromisso social. É necessário conhecer e aplicar a doutrina social da Igreja.
6. A paz e o diálogo social. A justiça, o bem comum, a fraternidade são os alicerces e pilares da paz, mas, a condição para a paz é o diálogo. São muitas as formas de diálogo: entre a fé e a razão, ou seja, o diálogo com o mundo da ciência. Indispensável e obrigatório é o diálogo ecumênico e interreligioso, de modo especial com o judaísmo, o islamismo num contexto de liberdade religiosa, sem esquecer o diálogo com o mundo.
7. A espiritualidade missionária. Sem mística e interioridade não há missão. Quem faz a experiência do amor de Deus e do encontro com Cristo Ressuscitado, sente a necessidade de transmitir as coisas contempladas e experimentadas. Saborear a amizade com Jesus nos torna seus discípulos, renovando nosso encantamento por Ele e pelo reino de Deus. Discipulado é caminhar com Jesus, falar com ele, adquirir seus pensamentos, atitudes e critérios. Espiritualidade missionária é fazer tudo para a glória do Pai e o bem da humanidade, com alegria, ardor e ternura. Maria, os santos, os mártires são paradigmas da espiritualidade missionária.
Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Metropolitano de Londrina





