Uma emocionante e muito prestigiada cerimônia religiosa aconteceu entre 19h30 e 22h15 deste sábado,dia oito, na Igreja Matriz da Paróquia Santo Antônio de Pádua em Santo Antônio da Platina – que ficou literalmente tomada por fiéis – por ocasião da Ordenação Presbiteral do jovem Frei Everton Henrique Sicogna Jiupato, natural do bairro rural platinense São Joaquim de Cima e único filho do casal Lenir e Valdecir Jiupato.
O ato religioso foi presidido pelo simpático bispo Diocesano de Patos de Minas Gerais, Dom Frei Cláudio Nori Sturm OFMCap e concelebrado por alguns freis e padres. Aliás, ao todo, foram 36 sacerdotes presentes no altar – além de diáconos e seminaristas – para participar da Celebração Eucarística que foi preparada pela Pastoral Litúrgica, Freis Capuchinhos, equipe do Serviço de Animação Vocacional (SAV) e membros do Serra Clube.
Frei Everton faz parte da Província São Lourenço de Brindes dos Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina. Sua missão, agora como sacerdote, não será o trabalho paroquial, ao contrário, estará integrando a Equipe Missionária Capuchinha, que está com 70 anos de serviços prestados na evangelização, permanecendo períodos de semanas em diversas Paróquias com o intuito de orientar, evangelizar, cuidar do
o povo para a caminhada cristã.
o povo para a caminhada cristã.
Dom Frei Cláudio Sturm pouco antes do início da Celebração disse que sua alegria era imensa naquela ocasião por dois motivos, o primeiro porque “cada frei que professa os votos é mais um irmão para a Província” e acrescentou “é um serviço necessário o de ajudar o povo de Deus, santificar e profetizar tendo como exemplo São Francisco de Assis”. E, o segundo, devido a Santo Antônio da Platina oferecer mais um sacerdote capuchinho revelando que “é sinal que o povo acolheu o carisma franciscano e a semente produziu o seu carisma”.
A alegria do Bispo era ainda maior porque recordou quando conheceu frei Everton no Seminário. “Vi ele nos primeiros anos de estudos do Seminário, depois quando ocupei a função de Provincial e, hoje, aceitei com alegria este convite para fazer parte deste momento importante de sua vida, aliás, rezo para que seja um presbítero a servir muito as pessoas mais simples, os mais pobres e os mais necessitados”, conclui.
O Provincial da Fraternidade São Lourenço de Brindes, Frei Cláudio Sérgio de Abreu ao falar com a reportagem do npdiario agradeceu aos padres pela acolhida e por terem colocado a estrutura da paróquia a servir os Capuchinhos. Ao final da missa ele também agradeceu ao frade Frei Everton por ser mais um religioso entre os mais de 10 mil frades que estão na vida sacerdotal capuchinha. “É mais um filho que a Província recebe desta Paróquia, para nós, é muita felicidade. E, vai integrar a Equipe Missionária, onde irá aprender a estar no meio do povo que também tanto no ensina, pois somos filhos de São Francisco de Assis. Paz e bem”.
A poucos minutos de começar a Ordenação Presbiteral, o pai de Frei Everton, Valdecir Jiupato falou da felicidade que sentia. “É uma alegria imensa, ter um filho sacerdote, é muita satisfação, não tem como definir em palavras”. A mãe do religioso, Lenir Jiupato, não conseguindo esconder a emoção, também falou da alegria que invadia seu coração. “Saber que estou entregando meu filho para seguir uma vida tão boa, tão diferente, nesta caminhada religiosa, é muito gratificante”. Se desde o começo haviam incentivado o filho a seguir a caminhada de religioso eles disseram: “No começo ficamos surpresos, mas imediatamente dissemos a ele. Você está feliz com esta escolha? A vida é sua, não a nossa, o que prometemos é total apoio e que a vontade e escolha dele prevalecessem e que Deus o guiasse”.
Frei Everton ainda na porta de entrada da Matriz, antes de começar sua Ordenação Presbiteral, disse em poucas palavras o quanto foi difícil sua caminhada até chegar àquele momento. “Hoje, para mim, é um dia de louvor. Foram muitas lutas, alegrias, desafios, 11 anos de dedicação, de estudos, de oração com as pessoas que eu amo e, agora, é um coroamento, de investir mais na luta para servir a Deus junto às pessoas que mais precisam”. Em seguida lembrou que foi em 9 de fevereiro de 2003 que entrou para o Seminário. “Por isso escolhi esta data para ser ordenado e, amanhã, domingo, dia 9, vou presidir minha primeira Missa, justamente no dia em que completo 11 anos de início de caminhada vocacional. Será um prazer repetir a frase ‘Fazei isto em memória de mim’”, disse se referindo à Palavra de Jesus na Santa Ceia.
O Pároco da Paróquia Santo Antônio de Pádua, Padre Rosinei Toniete declarou: “É um momento de muita alegria. É um momento de festa, já que mais um filho desta comunidade assume a missão de sacerdote”.
Na homilia, o bispo destacou o profeta Isaías lembrando que o Espírito unge os pobres. E, disse que Frei Everton deve trabalhar para “aliviar o sofrimento de todos e anunciar a graça e a misericórdia do Senhor”. Também cobrou do frei uma “vida de oração” e que esteja “atento à Palavra de Deus para acolher e guardar o que Ele deseja revelar” através do sacerdote capuchinho. E completou: “seja um seguidor da Palavra”.
Com seu jeito sereno e simples o Bispo dom Frei Cláudio ainda ressaltou que “todos percebam que você (Frei Everton) está no meio do povo como o que serve e, digo que o ponto alto de seu ministério é a Eucaristia. Sempre gosto de falar que nós, religiosos, muitas vezes acomodamos e negamos a paixão e morte do Senhor e depois vamos pregar as exéquias. Celebremos a Eucaristia, o memorial e paixão de Cristo, com o olhar voltado mais para os fracos e oprimidos, mesmo os que erram”.
Um dos momentos importantes e emocionantes da Ordenação Presbiteral foi quando Frei Everton deixou o banco onde estava desde que começou o ato religioso, ladeado por seus pais e padrinhos de vestimentas e dos símbolos litúrgicos, o Pão e o Vinho, conduzidos pelo casal platinense professora Sandra e policial rodoviário aposentado Cláudio. Houve abraços e o jovem foi abençoado por seus pais.
Outros momentos emocionantes da Ordenação foram a leitura da biografia de Frei Everton, a sua despedida dos familiares e pais que arrancaram aplausos dos fiéis presentes na Matriz, a Promessa de Obediência, o cântico da Ladainha, quando o religioso prostra-se ao chão, enquanto é invocado sobre ele o auxílio dos Santos e Santas, a imposição das mãos e prece de ordenação, a oração consecratória (ritual que encerra a consagração), o recebimento dos parâmetros e a unção das mãos.
O Pároco Padre Rosinei ao final da Missa disse que “para o papa Francisco, o sacerdote deve estar em relação com Deus e o povo. És pequeno, mas o poder da fé crescerá com o anúncio do Evangelho a quem mais precisa”. E, ao final de suas palavras agradeceu também o SAV, ao Frei Evandro, Padre Adão, Serra Clube, RCC, Francisclarianos, Serra Clube, Movimento Familiar Cristão, enfim, a todos que de uma forma ou outra colaboraram para a Ordenação Presbiteral de Frei Evandro. E finalizou suas palavras pedindo que “o Espírito Santo renove nossos corações”.
O Coordenador Provincial do SAV Frei Evandro Aparecido de Souza, que também é natural de Santo Antônio da Platina – como frei Everton, Valdir dos Reis Fontana, Lauro França Cândido, Antônio Aparecido de Lima – agradeceu, de coração, o Padre Rosinei por colocar à disposição dos Capuchinhos a Paróquia, também ao SAV platinense, pela dedicação nas tarefas diárias.
Os cânticos litúrgicos foram entoados pelos jovens do grupo fransciscano Francisclarianos, do Jardim Santa Cruz, anexo ao ex-Seminário Nossa Senhora de Guadalupe que era dirigido pelos Capuchinhos.
Frei Everton agradeceu seus pais e familiares, ao Bispo Dom Frei Cláudio, ao Pároco Padre Rosinei, aos frades capuchinhos e a todos os que estavam prestigiando o ato religioso. Ele lembrou uma frase do frei Antoninho que não esteve presente, mas ligou para ele naquela manhã de sábado ao dizer: “seja como água derramada por Deus”. Frei Everton disse ainda: “Conto com vossas orações para que eu possa continuar minha missão, agora como ordenado presbítero”.
Após o ato religioso foi servido um coquetel gratuito na quadra anexa a Igreja Matriz, onde compareceram aproximadamente 60% das pessoas que lotaram a Matriz para participar da Ordenação.
De Londrina, onde estão trabalhando os capuchinhos Frei Tosta e Frei Márcio, veio um ônibus com seminaristas e populares além de jovens do grupo Ágape.
O grupo de jovens platinense Jocemistas foi responsável de receber os fiéis que chegavam à Matriz para a Ordenação, desejando as boas vindas. O Movimento Familiar Cristão (MFC) colaborou servindo os salgadinhos e refrigerantes no coquetel.
Se a noite de sábado, 8, foi emocionante, não sabiam os fiéis católicos platinenses, de Londrina, Siqueira Campos e outros municípios que se fizeram presentes, que muito mais emoção estava reservada para a manhã de domingo, dia 9, às 9h30m, quando o Padre/Frei Capuchinho Everton presidiu sua primeira Santa Missa, também na Igreja Matriz que estava tomada pelo grande número de pessoas. A Liturgia preparada pelo SAV teve à frente dos cânticos o movimento Cursilho de Cristandade.
Como é de costume, o neo-sacerdote, ao presidir sua primeira Missa não faz a homilia, momento que é reservado para o seu paraninfo, que, de Frei Everton foi o Capuchinho Frei José Tosta, que atualmente trabalha em Londrina.
Suas palavras, do começo ao fim, exalaram muita alegria, questionamentos e, acima de tudo emoção acentuada. Disse Frei Tosta: “Celebrar a Eucaristia é celebrar a festa da vida, a festa da alegria que gera bênçãos e dons não só para nós aqui presentes, mas para toda a humanidade. Deus tem um projeto de vida para cada um de nós, e com o passar dos anos, vamos também elaborando o nosso próprio projeto de vida. O grande problema, é que muitas vezes o nosso projeto pessoal, se torna muito distante do projeto de Deus. E é aqui, que na sua bondade e no seu amor, Deus toma a iniciativa e vai nos cercando com essas iniciativas até que começamos a entender que precisamos aproximar esses dois projetos, o de Deus e o nosso. Essa aproximação nada mais é, do que a vivência da vocação que recebemos de Deus”. Frei Tosta fez uma referência ao texto de São Paulo aos Efésios 1,4, que destaca que “a santidade é um projeto de amor”.
Também fez uma alusão a Santo Agostinho que narra em um de seus escritos que “não há ninguém que não ame, a questão é saber o que se deve amar” e completou com os textos de 1 Jo 4,10, Romanos 5,5 e o Salmo 105,3: “Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor”.
Frei Tosta, paraninfo do ordenado Frei Everton realçou que “você, Frei Everton é sacerdote tirado do meio do povo e depois é enviado ao povo para o serviço e especialmente para ensinar coisas sagradas. É alguém enviado para evangelizar. Portanto, deve ensinar coisas sagradas e, sagrado é tudo o que se relaciona com Deus e você agora pertence a Ele, você é um “Alter Christus”, um outro Cristo. Essa sua tarefa de evangelizar o torna Pastor, e como pastor sua missão é proteger, guiar e alimentar com misericórdia as suas ovelhas”.
E continuou: “Você é um Presbítero, biblicamente esta palavra significa ‘Ancião’, que é aquele que conduz a comunidade, que cuida zelosamente dos enfermos, é alguém que prega a Palavra com ardor. Por isso antes de tudo deve ser o homem da Palavra, primeiro precisa ser ouvinte desta mesma Palavra, pois, se não ouvi-la não saberá o que dizer. Seu ministério se define pela comunhão que vive com Deus e os irmãos e pela participação que promove nos ambientes que atua. Deve viver uma profunda relação com Deus”.
E completou: “o povo espera que você, novo Padre/Frei Capuchinho, seja Santo, seja um homem da oração, da meditação espiritual, dos momentos íntimos com Deus; o povo espera que o presbítero seja sábio, o homem do estudo, da Sã Doutrina da Igreja Católica, ungido para ensinar e formar a comunidade”. E, quanto a Eucaristia destacou: “Você é Presbítero, é Sacerdote, homem da Palavra de Deus, mas também da Eucaristia. E ela deve ocupar lugar prioritário no seu ministério sacerdotal, por isso não celebre de qualquer jeito, às pressas e de forma improvisada. Certa vez alguém me disse aqui mesmo em Santo Antônio da Platina: ‘a gente conhece o padre pela Missa que ele celebra’. Por isso, quero dizer agora a você Frei Everton, as mesmas palavras que Frei Alessandro e eu ouvimos do nosso paraninfo no dia da nossa primeira Missa: ‘Quando você celebrar a Liturgia da Santa Missa, celebre-a sempre como se fosse a sua Primeira Missa; celebre-a sempre como se fosse a sua Única Missa possível de ser celebrada na vida; celebre-a sempre como se fosse a sua Última Missa a ser celebrada antes de você partir deste mundo para a eternidade”.
E finalizou: “Você, Padre/Frei Everton não é simplesmente um sacerdote, você é um sacerdote franciscano capuchinho, por isso cultive a dignidade de ministro de Cristo, sacerdote, e jamais perca a simplicidade, a jovialidade, a generosa doação aos irmãos, qualidades próprias de um autêntico filho de São Francisco de Assis. Com a humildade de um capuchinho, que a beleza do seu sacerdócio não seja o balançar das rendas e dos ricos brocados de ouro de suas vestimentas litúrgicas, mas sim o resplandecer da presença do Cristo ressuscitado em sua face; que o seu sucesso pastoral não seja as curas, libertações e milagres vazios, mas sim o grande amor do Cristo Bom pastor por suas ovelhas vivido através de você; que sua pregação não se baseie por prestígios pessoais e midiáticos, mas seja sempre a voz do Cristo profeta; que a luz de sua celebração litúrgica não esteja na quantidade de velas colocadas sobre o altar, mas sim a presença misteriosa, porém, real do Cristo Ressuscitado. Frei Everton, a missão é grande e difícil, e se algum dia você sentir-se pequeno diante de tão grandiosa missão, lembre-se de Maria, que ao questionar o anjo, ele lhe respondeu, ‘Alegre-se Maria, o Senhor está contigo’; lembre-se de Moisés que ao perguntar a Deus quem era ele para ir até o faraó, Deus lhe respondeu: ‘Eu estou com você’; lembre-se de Jeremias que disse a Deus que não sabia falar, porque era jovem, e Deus lhe respondeu: ‘Não tenhas medo deles, pois eu estou com você para protege-lo’. Você sempre terá também a sua Ordem, a sua Província, a sua fraternidade e os seus confrades para lhe estender as mãos quando necessitar”. O paraninfo Frei Tosta ainda lembrou as palavras de Dom Hélder Câmara: “O verdadeiro sentido da vida é dar sentido a vida dos outros. Paz e bem!”.
Após a a celebração da missa foi servido almoço por adesão na quadra anexa a Igreja Matriz da Paróquia Santo Antônio de Pádua.
Texto: Jornalista Fábio Galhardi/Especial para o npdiario
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