segunda-feira, 24 de junho de 2013

LUZES PARA A NOVA EVANGELIZAÇÃO


22/06/2013
Na evangelização é preciso observar a lei do grão de mostarda, isto é, ter paciência e perseverança. Vale também a “lei do grão de trigo” que morre e floresce, ou seja, a lei de dar a vida, pois, quem semeia entre lágrimas, recolhe a cantar. Uma leitura atenta dos Atos dos Apóstolos e do Apocalipse, nos oferece muitas luzes para a nova evangelização. Todavia,  precisamos de muita humildade diante dos obstáculos da nova evangelização. Humildade sim, pessimismo não.
Encontramos cristãos fragilizados, desorientados, angustiados. Outros entregaram-se à apatia, acomodação, rotina. Além disso difundem-se sentimentos de indiferença, desafeto, antipatia pela Igreja e pior ainda a perseguição. A nova evangelização precisa entrar pela porta da opção fundamental pela Palavra de Deus, pelo caminho da iniciação cristã, pela pedagogia das pequenas comunidades, pela primazia da família e uma sólida espiritualidade de comunhão.
Quem se renova a si mesmo através da conversão e da santidade será um novo evangelizador. Só evangelizadores fiéis, coerentes, fervorosos serão novos evangelizadores. Lembremos que “Cristo trouxe-nos todas as novidades, trazendo-se a si mesmo” (Sto. Irineu). A nova evangelização se alimenta da espiritualidade, do testemunho, da santidade, do fervor da caridade. Esta é a via da beleza que atrai e convence. Lembremos de Fulton Sheen que dizia: “A primeira palavra de Cristo é “vinde” e a última é “ide”.
Um renovado e profundo encontro com Jesus, enche-nos de encantamento, assombro e fascinação pela evangelização. Precisamos aprender com ele o caminho do esvaziamento, da pobreza, da simplicidade e da humildade como condição para a nova evangelização. Imitemos sua intensa vida de oração e ao mesmo tempo o seu silencio para escutar, ouvir, acolher o povo. Ele confiou nos simples e colocou-se ao lado dos desprezados. Ele mesmo dizia ser “manso e humilde” de coração.
A nova evangelização não depende tanto de projetos, estratégias, planejamentos, embora necessários. O essencial está no ser e não no fazer. É necessário esquecer de si, não buscar sucesso, nem esperar gratificações. Demos mais atenção à qualidade que a quantidade. Não basta a teologia, os documentos, as estruturas, mas é necessário falar ao coração das pessoas, testemunhar a alegria de ser católico, dar provas da paixão pelos irmãos, especialmente pelos pobres. Deixemos de lado a arrogância e busquemos a penitência, a oração, a leitura da Palavra de Deus, para vencer o cansaço, a ignorância, a indiferença e o desencorajamento que nos desalentam.
A nova evangelização deve entrar pela porta da amizade, da visitação, da simpatia pelos valores autênticos, pela compaixão com os descuidados, pela atenção especial com os migrantes. “Melhor que culpar os outros, as estruturas, as instituições é dizer sou eu que devo mudar” (Cardeal Dolan). Um verdadeiro evangelizador não apascenta a si mesmo, mas, a partir da experiência de Deus e a ciência da cruz, cultiva forte amizade com Jesus de Nazaré, recobra a alegria de crer e o entusiasmo de transmitir a fé. O testemunho dos santos e o sangue dos mártires são a alavanca do amor pastoral que anima a nova evangelização.
O Sínodo apontou rumo, bússola e direção para uma nova evangelização: o primado da Palavra, a iniciação Cristã, os grupos de reflexão, a visitação das casas, mas, principalmente uma vida de oração e a prática do sacramento da confissão. Quem se renova a si mesmo será um novo evangelizador. A vida espiritual é o combustível da evangelização. Os fortes na fé serão fortes na ação evangelizadora.


Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Metropolitano de Londrina

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