FREDERICO OZANAM, PROFETA DOS POBRES
Estamos celebrando o bi-centenárrio de nascimento de Frederico Ozanam (1813-2013). Trata-se de um leigo, pai de família, aos 26 anos já era professor na Sorbonne em Paris, escritor, jornalista, principal fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo (1833) e beatificado por João Paulo II em 1997. É um dos patronos da Jornada Mundial da Junventude – 2013. Doutor em direito e Letras, falava oito línguas. Era homem de missa diária, fiel a fé que recebeu na família.
No seu tempo, os jovens universitários formavam “círculos de estudos” chamados também de “Conferencia”, verdadeiros grupos de reflexão. Ozanam pertencia ao grupo “Conferencia de História”. Estes grupos eram oportunidades de reflexão sobre a realidade social corrompida na França, e se posicionavam em favor dos pobres e dos operários. “Vamos aos pobres” escrevia F. Ozanam. Neles vemos o rosto de Deus, portanto, amemos a Deus na pessoa dos pobres. Ajoelhemo-nos aos seus pés. Eles são nossos mestres e senhores, nós somos seus servidores. Eis em resumo o que F. Ozanam pensava a respeito dos pobres.
A revolução industrial, os abusos da aristocracia e da burguesia geraram uma multidão de indigentes, pobres, gente vivendo na miséria, crianças e mulheres grávidas que trabalhavam 14 horas por dia, os operários sofriam todo tipo de opressão. Grande era o desemprego, a prostituição, a falta de moradia e de esgotos. Ozanam chamou Paris de “capital do egoísmo”. Em outra ocasião deu-lhe o nome de “capital dos incrédulos”. A Igreja era muito atacada.
Nesta situação caótica muitos católicos estavam aliados a burguesia, mas, um pequeno grupo, os chamados “católicos liberais”, à luz da fé e do amor aos pobres, reagiu a tudo isso. Ozanam funda o jornal Nova Era, convence o Bispo de Paris a criar a “Conferencia de Nossa Senhora” cujo pregador era o famoso dominicano Pe. Lacordaire. Semanalmente a Catedral estava repleta de ouvintes. A pregação era sobre a transformação da realidade injusta e a necessidade do empenho da Igreja na transformação da sociedade. Personalidades famosas vinham ouvir o Pe. Lacordaire, dentre eles, Victor Hugo, Chateaubriand, Ampére, Tocqueville, Balzac, Dumas, Montalambert.
Ozanam aliou-se aos jovens, aos intelectuais, aos pobres e aos operários. Interpelou Roma em favor dos pobres. Ele é o precursor da Encíclica Rerum Novarum e da Doutrina Social da Igreja. Para ele santidade é visitar os pobres e dedicar-se a eles. Entregar-se a eles como Jesus, de todo o coração, com empatia, colocar-se ao seu lado e no meio deles. Ozanam encontrou-se com a Irmã Rosalie Rendu, fundadora das “Casas dos pobres” em Paris, buscando reforço e parceria em favor da libertação. Costuma dizer: “os pobres são a face de Deus sobre a terra”.
Fiel a São Vicente de Paulo, Ozanam ensinava que o culto aos santos tem mão dupla: invocação e imitação. Para ele a caridade é filha da fé. Mais ainda, “a caridade é o Samaritano que deita óleo nas chagas do viajante atacado. Cabe à justiça prevenir aos ataques”. Caridade e justiça se completam. A justiça tem limites, mas, a caridade é ilimitada. Ele lutava por uma “cultura da caridade”. É má a aliança dos católicos com a burguesia, dizia. O povo é o verdadeiro aliado da Igreja. Estes são pensamentos de Ozanam, sobre a caridade e a justiça.
Vemos, assim, que estamos diante de uma figura extraordinária, fascinante e convincente. Estão de parabéns os nossos vicentinos que até hoje perpetuam a visitação e os cuidados com os pobres. A Sociedade de São Vicente de Paulo está em 148 países, com mais de um milhão de membros que atendem mais de 30 milhões de pobres no mundo. Que tudo isto nos leve a estar com os pobres, sem excluir ninguém, fortalecidos com o testemunho do Papa Francisco amigo dos pobres. Parabéns, benção, agradecimento aos vicentinos.
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