O CATEQUISTA E SUAS QUALIDADES
O catequista é uma pessoa especial. Sua missão humaniza, evangeliza, santifica, salva as pessoas. Olhemos para o catequista como um pai/mãe de nossos filhos, um benfeitor da sociedade, um missionário da Igreja. Vejamos algumas qualidades necessárias ao catequista. Primeiro: sólida espiritualidade. Sim o catequista transmite sua experiência de fé, sua vida de oração, sua convicção interior, sua consciência cristã e eclesial. Segundo: testemunho de vida. Fala mais pelas boas obras e bom exemplo que pelas palavras. Faz o que ensina. O mundo acredita mais nos testemunhos que nos mestres. O testemunho cativa e convence os ouvintes. Terceiro: o amor aos catequizandos. Sem amor aos catequizandos é impossível a verdadeira catequese. Catequizar é querer o bem, o amadurecimento, a santificação e a salvação das pessoas. Quarto: competência. É preciso ler sempre, participar das formações, aprofundar a teologia, cultivar-se permanentemente, preparar bem os encontros. A competência cria confiança e adesão do ouvinte. A mediocridade é inimiga da fé. Quinto: ser facilitador. Significa ter pedagogia, boa comunicação, cuidar dos catequizandos pela motivação, compreensão e disciplina, ajudando-o nas dificuldades. Sexto: inserção comunitária. Todo catequista deve ser pessoa inserida na Igreja, envolvida na comunidade, participando das celebrações e da vida da Igreja. Sétimo: conhecer a família dos catequizandos. Esta questão é fundamental, ou seja, conhecer, ajudar e catequizar as famílias, porque o catequista é também pai/mãe da sua turma, do seu grupo. Daqui brotam muitas inspirações e frutos para a catequese. Oitavo: paixão. Ser apaixonado, entusiasmado, convicto da sua missão. Amar o que faz. Ter desejo, motivação, gosto e fé pela catequese. Nono: criatividade. O catequista não deve ser rotineiro, copiador, doutrinador ou pior ainda, apenas leitor do livro de catequese. Grande mal para a catequese é a rotina, a mesmice, a acomodação. Daí a importância da criatividade, interesse, motivação do catequista. Décimo: adaptação. Sim adaptar-se à realidade dos crismandos é uma exigência e necessidade de qualquer educador. Descer do pedestal, aproximar-se, interessar-se pela pessoa e a realidade do catequizando é algo indispensável. As pessoas não são objetos, não é apenas número, nem merecem ser tratados como anônimos, distantes, desconhecidos. A catequese acontece com a aproximação, a comunicação, a inculturação, a adaptação. É necessário, pois ter flexibilidade, compreensão e compaixão. Onze: paciência. Evitar a agressividade, a precipitação, o desânimo e a decepção, significa ter paciência. Não confundamos paciência com resignação, permissividade, omissão. Paciência significa ter esperança, sempre recomeçar, compreender e perdoar. Doze: articulação. O catequista é uma pessoa de diálogo, interação, parceria, aliança. Deverá articular-se com os colegas catequistas, com o pároco, com outras pastorais e com a diocese. É pessoa aberta, que cria laços de entre-ajuda e aceita a correção, o apoio dos outros e novas ideias. O tradicionalismo, o fanatismo, o fechamento são patologias a serem superadas. Treze: profeta. Sim, o catequista é profeta. Alimenta-se da Palavra e com coragem denuncia o mal e anuncia a verdade, a justiça, o bem. Ser profeta é assumir a dimensão social e transformadora da fé, conhecer a Doutrina Social da Igreja, unir fé e vida, defender os direitos humanos, a ecologia, o bem comum. Nossos catequizandos devem ser bons cidadãos, ter consciência da realidade social, política, econômica. O profeta ajuda a abrir os olhos, a ter pé no chão, a lutar pela promoção da dignidade humana.
Dom Orlando Brande
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