ELEIÇÕES, HORA DA VERDADE
Votemos, pois, nosso voto fala, transforma, grita. O voto tem poder: “Vote Limpo”. Voto consciente é expressão de maturidade, cidadania, democracia. Vamos votar porque é hora de por a economia a serviço do povo. É hora de dar um basta à corrupção. É hora de encarar a crise ética e cultural. É hora de transformar a mentira e o cinismo em respeito pela dignidade. É hora de reconstruir a realidade.
Nas coisas sócio-politicas temos ainda um longo caminho a percorrer, inclusive em relação a reforma política. Eleição é hora da verdade porque é hora de fazer voltar os valores fundamentais. É hora de acreditar que no mundo somos irmãos e a terra é casa de todos. É hora de despertar esperança e unir as convergências. Não votemos levados pela emoção, mas, pela reflexão e opção pelo bem comum. O voto é uma conquista histórica que custou um preço alto. Graças ao voto nos livramos da escravidão da ditadura e da anarquia.
Os eleitos governam com nosso poder e em nosso nome. Temos o direito de exigir nossos direitos e a obrigação de acompanhar os que elegemos. É hora de colaborar e também de cumprir nossos deveres. Temos um velho vicio de nos envolver com a política só nas eleições. Isso é muito pouco. Falta-nos conhecimento, conscientização e participação no dia a dia da política.
Não é bom satanizar a política, porque ela é mediação da nossa convivência e instrumento para o bem de todos. O Compêndio de Doutrina Social da Igreja fala da “comunidade política” da qual a pessoa humana é fundamento e fim. Trata-se das relações humanas a nível comunitário, nacional e internacional. Em outras palavras, a comunidade política está a serviço do povo. Daí a importância das políticas públicas. O povo é o detentor da soberania política pelo poder do voto e do controle dos governantes. Política é muito mais que votar
A política tem tudo a ver com a fraternidade, amizade civil, liberdade e a igualdade de dignidade de todas as pessoas, pois é uma forma de amor ao próximo, de interação humana, de alteridade, isto é, valorização e respeito pelo outro. Através da política podemos construir a “civilização do amor”. Sendo assim, a política é o oposto ao egoísmo, individualismo, injustiça e interesses pessoais.
Temos uma chance ímpar de atuar no cotidiano da política através dos Conselhos de Cidadania, ou seja, conselhos de educação, saúde, assistência social, idoso, mulher, criança, adolescente. Além disso a pastoral política pode formar grupos de acompanhamento e participação no mandato dos que foram eleitos. Vemos assim que o voto não resolve tudo, é preciso a cobrança, o controle, a participação de todos nas coisas públicas e políticas.
A Igreja não tem partido próprio, mesmo assim percebemos opções partidárias por líderes da Igreja. Tal posicionamento contradiz as orientações do Papa, da CNBB e da Arquidiocese e fomenta ainda mais a divisão das comunidades. Nossa missão é colaborar na formação dos cidadãos em favor do voto consciente, livre, ético. Ainda mais, nosso partido é: reino de Deus.
As eleições são uma festa da democracia que nasce da paixão política. O recurso à violência, que marca a campanha eleitoral em muitos municípios, é inadmissível: candidatos são adversários, não inimigos. A divisão, alimentada pelo ódio e pela vingança, contradiz o principio evangélico do amor ao próximo e do perdão, fere a dignidade humana e desrespeita as normas básicas da sadia convivência civil, que deve orientar toda militância política. Do contrario, como buscar o bem comum, principio definidor da política?
A Deus elevemos nossas preces a fim de que as eleições reanimem a esperança do povo brasileiro e que, candidatos e eleitores, juntos, sonhem um país melhor, humano e fraterno, com justiça social.